<i>Um milhão de contactos</i>, uma tarefa com sucesso
As eleições legislativas do passado dia 5, para além do notável resultado conquistado pela CDU – com uma maior expressão eleitoral e com mais um deputado – não se esgotam em si mesmas. A acção Um milhão de contactos por uma política patriótica e de esquerda – decidida na reunião do Comité Central do Partido de 3 de Abril, para garantir «a necessidade imperiosa de um grande envolvimento do colectivo partidário que, conjugando a dinâmica nacional e as campanhas em cada região», assegurasse «uma forte campanha de massas, activa, criativa e dinâmica, baseada na afirmação da CDU e de uma mobilização assente no contacto directo, na informação, no esclarecimento e na mobilização para uma ruptura e uma mudança na vida política nacional» – deixa importantes marcas, pelo que quero sublinhar três aspectos.
Os tempos duros que temos pela frente exigem firmeza e capacidade de diálogo
1. A acção Um milhão de contactos foi decidida com o objectivo central de, alterando rotinas e estilos de trabalho, pôr os militantes a falar com outros, mas também a ouvir. O Partido e a CDU ouviram opiniões, sugestões, críticas. Tomaram contacto com preocupações, mágoas, incertezas. Lidaram com dúvidas e certezas inamovíveis.
Em cada conversa foi possível apreender as principais linhas de argumentação da burguesia nestas eleições e quão fundo penetraram nas massas. Do discurso contra os partidos e a política, ao preconceito anticomunista; da ideia do País pobre e sem recursos ao desabafo sobre os apoios do Estado mal entregues; da ausência de soluções para além da intervenção externa aos seus benefícios supostamente regeneradores de quem põe a casa em ordem.
Mas ouvimos também quem já tinha percebido que era indispensável arrepiar caminho, embora não visse ainda a alternativa, ou a dúvida sobre esta ou aquela decisão em concreto do PCP e as suas consequências. Com esta acção demos a oportunidade a milhares de pessoas de nos trazerem o seu drama, a sua situação de vítimas destas políticas, o seu caso, quase sempre o espelho de tantas outras vidas.
2. A iniciativa dos militantes de se dirigem aos seus colegas de trabalho, aos seus vizinhos, aos seus familiares com a informação e a opinião do Partido é cada vez mais necessária quando o capital joga na deturpação, no silenciamento, na mistificação, na menorização da nossa mensagem e intervenção.
Com a acção Um milhão de contactos, o Partido despertou para a urgência dessa tarefa, no quadro da batalha eleitoral. E em porta-a-porta, em acções de rua, em sessões públicas, em contactos individuais, à porta das empresas, nos mercados, nos pontos de passagem, essa passou a ser uma preocupação do conjunto dos activistas que, para além da necessária distribuição de documentos, passaram também a interpelar, a questionar, a esclarecer, a ganhar para o apoio e para o voto na CDU.
3. Uma tarefa que não acabou em 5 de Junho. Ao decidir a realização de uma acção de tal envergadura, o Comité Central não estava só a preparar o acto eleitoral. O CC dava corpo à orientação plasmada na Resolução Política do XVIII Congresso: «a ligação às massas, o conhecimento profundo da situação, dos problemas e dos anseios dos trabalhadores e do povo, o contributo para o seu esclarecimento, organização, unidade e luta, na concretização do papel de vanguarda do Partido e visando o alargamento da sua influência é uma questão central do trabalho partidário, da acção das organizações e dos militantes, que se concretiza através de diferentes linhas de orientação e iniciativas.»
Esta é, pois, uma tarefa e uma linha de trabalho que se integra neste objectivo. Os ataques ao Partido não abrandam nunca e, como se vê por estes poucos dias passados das eleições, ganham sempre renovadas qualidades. Com artes e apoios conhecidos, procuram colocar-nos na prateleira ora dos derrotados, porque a esquerda o foi, ora dos irrelevantes, no quadro do grande entendimento PSD, CDS, PS, que garantirá o prosseguimento das medidas previstas no acordo de ingerência e submissão. A partir do controlo férreo dos principais grupos de comunicação social, insistirão nas linhas da ofensiva ideológica, procurando esmagar todos os que se lhe opuserem.
Os tempos duros que temos pela frente exigem firmeza e capacidade de diálogo. E isso reclama, de cada militante, a necessária preparação política e ideológica, a participação na vida do Partido, a leitura atenta do Avante! e de O Militante, para dar resposta à realidade presente.
Aos comunistas, reforçados com o bom resultado das eleições legislativas, cabe agora a tarefa de alargar apoios junto dos trabalhadores, dos explorados, das vítimas desta política, dos democratas que compreendam que este é o caminho do desastre, para defender a política patriótica e de esquerda de que Portugal precisa. Vamos pois a mais um contacto, camaradas.